quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação



Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.
Se há fato estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coerência, a convicção, a certeza são além disso, demonstrações evidentes — quantas vezes escusadas — de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.
Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predileções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.

Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm, sobretudo quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variarão, como é de entender, consoante esse exterior varie. O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, e monárquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, é católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos do anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo uma invenção de louco quando, ante uma solidão de mar, ele não souber de mais do que da "Odisseia".
Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam d'essa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.
Quando é que despertaremos para a justa noção de que política, religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética — a estética dos que ainda a não podem ter? Só quando uma humanidade livre dos preconceitos de sinceridade e coerência tiver acostumado as suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.

Fernando Pessoa, em  'Idéias Políticas'

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Matemática


Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei no meu bolso 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.
Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:


1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00
5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
(  )SIM (  ) NÃO
6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00
7. Em 2010 já está assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00  

domingo, 26 de dezembro de 2010

Os Truques do Discurso Político



Parecemos estupefatos ao ver a multidão ser conduzida por meros sons, mas devemos lembrar-nos que, se os sons operam milagres, é sempre graças à ignorância. A influência dos nomes está na proporção exata da falta de conhecimento. De fato, até onde tenho observado, na política, mais que em qualquer outra área, quando os homens carecem de alguns princípios fundamentais e científicos aos quais recorrer, eles tornam-se aptos a ter o seu entendimento manipulado por frases hipócritas e termos desprovidos de sentido, dos quais todos os partidos em qualquer nação têm um vocabulário. William Paley, in 'The Principles of Moral and Political Philosophy'

Política de Verdade


(...) Represento uma política de verdade e de sinceridade, contraposta a uma política de mentira e de segredo. Advoguei sempre que se fizesse a política da verdade, dizendo-se claramente ao povo a situação do País, para o habituar à ideia dos sacri fícios que haviam um dia de ser feitos, e tanto mais pesados quanto mais tardios.
Advoguei sempre a política do simples bom senso contra a dos gran­diosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-nos as forças para a sua execução.
Advoguei sempre uma política de administração, tão clara e tão sim­ples como a pode fazer qualquer boa dona de casa — política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despen der mais do que os próprios recursos.
António de Oliveira Salazar, in 'Discursos (1928)'

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Mente Livre Está em Perigo

A nossa espécie é a única espécie criativa, e tem apenas um único instrumento criativo, a mente e espírito únicos de cada homem. Nunca nada foi criado por dois homens. Não existem boas colaborações, quer em arte, na música, na poesia, na matemática, na filosofia. De cada vez que o milagre da criação acontece, um grupo de pessoas pode construir com base nela e aumentá-la, mas o grupo em si nunca inventa nada. A preciosidade reside na mente solitária de cada homem.

E agora existem forças que enaltecem o conceito de grupo e que declararam uma guerra de exterminação a essa preciosidade, a mente do homem. Através das mais variadas formas de pressão, repressão, culto, e outros métodos violentos de condicionamento, a mente livre tem sido perseguida, roubada, drogada, exterminada. E este é um rumo de suicídio coletivo que a nossa espécie parece ter tomado.

E é nisto que eu acredito: que a mente livre e criativa do homem individual é a coisa mais valiosa no mundo. E é por isto que eu estou disposto a lutar: pela liberdade da mente tomar qualquer direção que queira, sem direção. E é contra isto que eu vou lutar com todas as minhas forças: qualquer religião, qualquer governo que limite ou destrua o indivíduo. É isto que eu sou e é esta a minha causa. Posso até compreender que um sistema baseado num padrão tenha que destruir a mente livre, pois esta é a única coisa que pode inspeccionar e destruir um sistema deste tipo. Com certeza que compreendo, mas lutarei contra isso por forma a preservar a única coisa que nos separa das restantes espécies. Pois se a mente livre for morta, estaremos perdidos.

John Steinbeck, em 'A Leste do Paraíso'
 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Professor Universitário



Nos bastidores: 
- Boa tarde Presidente
- Boa tarde companheiro, como vai a família?
- Tudo bem.
- O que manda, Companheiro?
- Vim pedir uma colocação para o meu filho que não conseguiu terminar os estudos.
- Vou coloca-lo como ministro, mais de 27.000 reais por mes
- Não! é muito dinheiro para um jovem, um pouco menos que isso
- Então assessor, 20,000
- Também não!
- Então companheiro, quanto você acha que ele deve ganhar?
- Algo em torno de 4.000 reais
- Não vai dar, para ganhar este salário a pessoa tem que ter no mínimo Doutorado para que eu consiga emprega-lo como professor em uma Universidade Federal, sinto muito.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Que Vergonha 3!


Vivendo em um país que tem o maior número de ministérios do mundo, ministros medíocres por sinal, porque o governo atual e o que vai assumir (continuidade ao descaso), desprezaram e meritocracia e assumiram escandalosamente a "barganhocracia" (desculpem o neologismo) para conseguir governa-lo com tantos partidos de "coligação", o do Tiririca incluso, que deveria ser nomeado Ministro da Cultura.
Sinto vergonha de novo, me "tire o tubo" (falas de um general personagem do Viva o Gordo do Jô Soares no período pós ditadura). Infelizmente continuaremos com o "tubo", vivos para ver tamanho desmando..

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Bem Moral



Não quero deixar passar o ensejo de indicar a diferença entre o bem em geral e o bem moral. Ambas as noções têm algo de comum e mesmo indissociável: nada pode ser considerado um bem se não tiver uma parcela de bem moral, e o bem moral é indiscutivelmente um bem. Qual é então a distinção entre as duas categorias? O bem moral é o bem absoluto, no qual se realiza totalmente a felicidade, e graças ao contato dele todas as outras coisas se podem tornar formas de bem. Exemplificando: há coisas que em si nem são boas nem são más, tais como o serviço militar, a carreira diplomática, a jurisprudência. Se estas tarefas forem realizadas conformemente ao bem moral, começam a tornar-se bens e passam, de indiferentes, para a categoria do bem. O bem, em geral, depende de estar ou não associado ao bem moral; o bem moral é em si mesmo o bem; o bem em geral está dependente do bem moral, enquanto o bem moral depende apenas de si. Tudo quanto é simplesmente um bem poderia ter sido um mal; o bem moral, pelo contrário, nunca poderia deixar de ter sido um bem.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio' 

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Falta de Cultura Ética da Nossa Civilização

A Falta de Cultura Ética da Nossa Civilização
Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas.
O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de acção é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração.
O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. Sem «cultura ética» , não há salvação para os homens.
Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'

A Dificuldade do Poder Obtido sem Esforço



Aqueles que, só pela mão da fortuna, de vulgares cidadãos se tornam príncipes alcançam o mando com pouca fadiga, mas só com muito esforço o conseguem manter. Não experimentam dificuldades na caminhada para o poder, parecendo que para lá vão voando. As dificuldades surgem depois de serem entronizados. É o que sucede com aqueles a quem é dado um estado a troco de dinheiro ou por graça de quem o concede (...) Os que assim sobem à condição de príncipe ficam dependentes da vontade e da fortuna de quem lhes proporcionou o trono, que são duas coisas assaz volúveis e instáveis, não sabendo nem podendo garantir a sua conservação. Não sabem - porque, a menos que seja um homem de grande habilidade e virtude, não é razoável que, tendo sempre vivido como vulgar cidadão, saiba comandar; não podem - porque não dispõem de forças que lhes possam ser amigas e fiéis. Além disto, os estados que surgem de repente, como todas as outras coisas da natureza que nascem e crescem rapidamente, não desenvolvem as raízes, o tronco e os ramos, sendo destruídos pelo primeiro temporal. Isto, a menos que aqueles que, como eu disse, de repente se tornaram príncipes possuam tanta virtude como a fortuna que tiveram quando o estado lhes caiu no regaço e saibam, rapidamente, preparar-se para o conservar. E aqueles pressupostos que outros preencheram antes de se tornarem príncipes sejam por eles reunidos posteriormente.

Nicolo Maquiavel, in 'O Príncipe'

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Que Vergonha 2!

O que é a Medalha Mérito Legislativo da Câmara dos Deputados?
É uma forma de homenagear personalidades, brasileiras ou estrangeiras, que realizaram ou realizam serviço de relevância para a sociedade. Pode ser um cientista, um político, um ator, um cantor, um religioso, enfim qualquer pessoa que em certo momento da história do País realizou trabalho que teve repercussão e recebeu a admiração do povo brasileiro.

Ontem, quarta, dia 1º, o Congresso Nacional outorgou a Medalha do Mérito Legislativo a João Pedro Stedile. Aquele salafrário do MST que andou arrebentando a casa. Muito bom. Ele merece?







 O que é o Prêmio Jabuti?





Prêmio Jabuti é o mais importante prêmio literário do Brasil. Lançado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a Câmara Brasileira do Livro.
Desde a primeira premiação, o Jabuti foi se aprimorando e, ao longo dos anos, foi ganhando novas categorias. Hoje contempla desde romances a livros didáticos e desde livros de ilustração a projetos gráficos.


O "escritor" Chico Buarque ganhou, devolve que fica mais bonito.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Forrest Gump às avessas

Sou um Forrest Gump, às avessas, fico em um banco, não vou revelar onde, e ouço histórias de outras pessoas. Ontem uma senhora me contou  de seu neto que tem um problema de ordem psicológica e há alguns meses  se acidentou atravessando uma rua (segura) e foi atropelado por um caminhão (da prefeitura) e teve um TCE (traumatismo crânio encefálico), melhorou graças a Deus, mas precisa de uma tomografia, solicitada pelo médico, A família foi, por indicação, com pedidos, atestados, etc. procurar um posto de saude, onde marcam exames, da prefeitura que fica, me parece na Av Afonso Pena . Já foram lá com hora marcada quatro vezes (isto está se arrastando por meses), com carimbo assinado pela atendente, sempre protelando e na ultima ida ao posto, carimbaram de novo  para que voltasse dia 20 de janeiro de 2011 data que eu tenho certeza que é conversa para boi dormir. Só consegue com o "carimbaço". É mole ou quer mais?

Que Vergonha!

Realmente  estou sentindo vergonha de ser Brasileiro, mais ainda de ter sido um educador em escolas que são referências mundiais e ter deixado tudo por "patriotismo" e voltado para a minha terra para dar o que tinha de melhor, não me arrependo, sinto vergonha de ler ou ver nas mídias a impunidade como por exemplo: do médico (se assim podemos chama-lo) Roger Abdelmassih condenado a 278 anos de prisão por 62 estupros e pela tentativa de outos quatro, e os ministros (note-se que não tenho coragem de grafar em maiúsculo o m) do STF permitiram que o dito "doutor" recorra em liberdade, me envergonha; seguindo o mesmo "modus operandis" concederam ao ex-banqueiro Salvatore Cacciola o regime semiaberto, convite para mais uma fulga (investiram uma "grana preta" para traze-lo de volta ao Brasil, poderiam deixa-lo em Mônaco, lá eles tem mais dinheiro para manter as mordomias do cujo). Me desculpem, na outra postagem falo mais, agora estou com ansia de vômito, vou me tratar, volto logo.
SINTO VERGONHA DE MIM 

Cleide Canton 

Sinto vergonha de mim 
por ter sido educador de parte desse povo, 
por ter batalhado sempre pela justiça, 
por compactuar com a honestidade, 
por primar pela verdade 
e por ver este povo já chamado varonil 
enveredar pelo caminho da desonra. 

Sinto vergonha de mim 
por ter feito parte de uma era 
que lutou pela democracia, 
pela liberdade de ser 
e ter que entregar aos meus filhos, 
simples e abominavelmente, 
a derrota das virtudes pelos vícios, 
a ausência da sensatez 
no julgamento da verdade, 
a negligência com a família, 
célula-mater da sociedade, 
a demasiada preocupação 
com o "eu" feliz a qualquer custo, 
buscando a tal "felicidade" 
em caminhos eivados de desrespeito 
para com o seu próximo. 

Tenho vergonha de mim 
pela passividade em ouvir, 
sem despejar meu verbo, 
a tantas desculpas ditadas 
pelo orgulho e vaidade, 
a tanta falta de humildade 
para reconhecer um erro cometido, 
a tantos "floreios" para justificar 
atos criminosos, 
a tanta relutância 
em esquecer a antiga posição 
de sempre "contestar", 
voltar atrás 
e mudar o futuro. 

Tenho vergonha de mim 
pois faço parte de um povo que não reconheço, 
enveredando por caminhos 
que não quero percorrer... 

Tenho vergonha da minha impotência, 
da minha falta de garra, 
das minhas desilusões 
e do meu cansaço. 
Não tenho para onde ir 
pois amo este meu chão, 
vibro ao ouvir meu Hino 
e jamais usei a minha Bandeira 
para enxugar o meu suor 
ou enrolar meu corpo 
na pecaminosa manifestação de nacionalidade. 

Ao lado da vergonha de mim, 
tenho tanta pena de ti, 
povo brasileiro! 


*** 

"De tanto ver triunfar as nulidades, 
de tanto ver prosperar a desonra, 
de tanto ver crescer a injustiça, 
de tanto ver agigantarem-se os poderes 
nas mãos dos maus, 
o homem chega a desanimar da virtude, 
a rir-se da honra, 
a ter vergonha de ser honesto". 

(Rui Barbosa) 




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A QUEIMA DOS LIVROS

Um burocrata técnico em gestão educacional em Brasília, mentecápto por sinal, fazendo seu mestrado em educação das relações raciais resolveu ler o livro As Caçadas de Pedrinho (1933) de Monteiro Lobato (eu li na minha infância) e ficou insultadíssimo com a conotação, vista por ele, racial tendo como pivô a querida Tia Nastácia. Este "insulto" levou o nobre mentecápto a classificar Monteiro Lobato como racista e encaminhar uma denúncia à Secretaria de de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (a mesma das cotas discriminatórias das universidades e ao serviço público), ato contínuo, outo servidor, também mentecápto, encaminha ao CNE (Conselho Nacional de Educação) que acessora as políticas de educação pública, este acata e sugere o banimento da obra na rede pública do maior escritor infantil do Brasil, morto há 62 anos. A sorte, por hora, é que o trapalhão Fernando Hadad Ministro da Educação, barrou tamanha insanidade, conversa para boi dormir.
Este é um exemplo do patrulhamento do PT para tolir toda e qualquer publicação que bata de frente com suas convicções ideológicas.  Franklin de Sousa Martins em ação.
Creio que os proximos autores a sofrer deste mal será: Aristóteles (Poética), Shakespeare (O mercador de Veneza), Melville (Moby Dick), Conrad (Coração das Trevas), Kipling (Mogli), e por ai vai. Se este censor (o burocrata mentecápto) souber ler, estamos "fritos", teremos o "remaker" de 10 de maio de 1933 - A Grande Queima de Livros pelos nazistas, início da perseguição aos intelectuais.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ILHA DA FANTASIA

Entre 1978 e 1984 foi produzido por Aaron Spelling e Leonard Goldberg nos EUA e exibido pela televisão brasileira na década de 80, um seriado chamado Ilha da Fantasia com dois atores fixos,  Ricardo Montalban e o anão Hervé Villechaize. Eles faziam o papel do Sr.Roarke, e seu auxiliar, o pequeno Tattoo. A história é de uma ilha paradisíaca onde qualquer desejo, de quem a visitava, era realizado e os anfitriões eram o Sr.Roarke, e Tattoo.
Em 1998 foi tentada uma nova versão que durou apenas meia temporada, um fracasso.
Mas depois de 2002, mudaram os produtores, os atores e o país de origem.
Os produtores foram as agências de publicidade contratadas pelo governo do PT, o país Brasil e os atores fixos até 2010 foi o Sr. Luis Inácio Lula da Silva (no papel do Sr. Roarker) e o povo brasileiros como visitantes, agora o auxiliar do novo Sr. Roarker não foi o pequenino Tattoo, mudaram algumas vezes, sempre trapalhões dando um trabalhão danado para o  Sr. Roarker que saia muito bem, sempre negando o inegável, não vendo nem ouvindo o que seus auxiliares faziam, muito menos os punindo, diferentes do anão Tattoo (saudades). Bem, esta versão foi um grande sucesso, a maioria dos personagens que visitam (leia-e moram) na Ilha da Fantasia ver. 2000, não só foram coadjuvantes como acreditaram nas imagens editadas dos carros chefes da propagada, produzidas no estilo Joseph Goebbels, do Banco do Brasil, da Petrobras e outras estatais, tudo maquiado, onde aparecem operários com unifomes talhados sob medida sem um pingo de graxa, familias felizes correndo e brincando em parques "paradisíacos", pessoas simples sendo atendidas por um gerente de banco com tapete vermelho e para arrematar, dois velhinhos conseguindo a aposentadoria em alguns minutos (tenta e verá estes minutos transformando em meses e quase sempre a resposta é "indeferido"). Quando voltaram do êxtase, viram um pessoal que não tem capacidade para aplicar e gerir um simples exame escolar, o ENEM que era um desejo dos pobres estudantes desta ilha.
O mais interessante é que o criador/produtor/ator desta nova versão também acredita. “Nunca antes neste pais, a ilha foi tão fantasiosa”.
Mas a versão da Ilha da Fantasia de Lula deu certo que até elegeu o novo ator principal. Vamos ver este novo anfitrião dará continuidade aos "desejos fantasiosos". A Sra. Vana Roarker, esta sim, terá um Tattoo só seu. O papel será da "atriz" Erenice, eu acho.

sábado, 20 de novembro de 2010

Nas veredas do Vereza: A sombra da morte !

Nas veredas do Vereza: A sombra da morte !: "Como, exaustivamente, venho postando neste espaço, um dia ,a Lei de Causa e Efeito,revelaría o assassinato de Celso Daniel, pondo à luz um ..."

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Os fascistas estão à solta, leia-se petistas. Em pleno século XXI um candidato a presidencia, o Serra, é atacado fisicamente pelos partidários da Sra. Vana; inadmissível!! Ela não ganhou a eleição ainda, já pensaram depois, se ganhar? Se eu não for apedrejado, por sorte, serei enforcado.
"Vocês sabiam que a péssima gestão do governo federal só concluiu 2 das 51 metas para preservação da biodiversidade nacional?!"  Juliana Ricci via Twitter

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

          Eu fico indignado com as declarações da Sra. Dilma em todas as situações, justamente agora ela deu  uma entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo, e ao invés de mostrar sua proposta de governo (acredito que não tenha ou seja um camaleão que muda conforme o ambiente ou situação) aproveitou o tempo para atacar o candidato rival e em cima do noticiário que a pizza da Erenice Gerra foi adiada por trinta dias, ela afirmou que a "quadrilha" da Casa Civil já foi desbaratada e serão punidos os responsáveis, balela, a sua colega/amiga de cela a uruguaia Cristina Castro (codnome: Tupamara) trabalhou no Ministério de Minas e Energia a convite de sua amiga.Ela mesmo disse: "Dilma me chamou para trabalhar diretamente com ela." foi nomeada acessora especial da ministra Dilma, pela "Grande amizade".. Em 2005 a Vana foi para a Casa Civil, e a Tupamara continuou no emprego. Com "plenos poderes" dados pela amiga para modernizar a área de informática do Ministério. Sabem o que ela aprontou? Contratou uma Fundação privada para a qual ela pagou 14 milhões de reais, mais 4,8 milhões para acompanhamento e nada foi feito até hoje, um elefante branco, pago pr nós Foi confirmada a maracutaia pelo TCU, porém uma sindicância interna "engavetou" na acessoria jurídica do ministério. Adivinhar quem era responsável por esta acessoria, é fácil: Erenice Gerra. A poucas semanas, por ser um assunto embaraçoso para a candidata, foi resolvido pelo Ministro Raimundo Carreiro, indicado para o cargo pelo Senador José Sarney, confirmou a ilegalidade mas não achou razão nehuma, mas nenhuma mesmo para punir a Tupamara. Os 4,8 milhões de reais o gato comeu!
          Já pensaram o que vai acontecer se esta ex-guerrilheira (se existir ex) for eleita presidente do Brasil o que poderá acontecer? Esta também é fácil de adivinhar.
          
Fonte: Folha de São Paulo, Veja e Rede Globo.
No debate de ontem, veja o que a Vana falou: "Vou fazer um governo para a pessoa humana." (Dilma Vana Rousseff) , será que quis dizer que exclui seus pares?
Voces notaram que todos os governos ditatoriais são negacionistas, o nosso atual e sua candidata Vana, tem este perfil, falta pouco para a nossa democracia ruir. Devemos impedir este "flashback", antes de direita agora, nem consigo definir o lado...
Quando lembro dos amigos do governo lula-petista (Mahmoud Ahmadinejad, Evo Morales, Hugo Rafael Chávez Frías, etc.), fico pensando na possibilidade da continuidade deste desmando que vem se arrastando a oito anos, me sobe um frio na espinha temendo a censura do Chaves, o nacionalismo do Evo e a crueldade do Ahmadinejad. Será que morrerei apedrejado?